CIDADE

Quinta-feira, 05 de Outubro de 2017, 21h:30

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MATÉRIA ESPECIAL

Cáceres: A princesinha do Pantanal completa hoje 239 anos

Por: Lygia Lima – especial para o Cáceres Notícias

Cáceres Notícias

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239 anos se passaram desde a sua fundação pela Coroa Portuguesa, em 1778

Quem conhece Cáceres, sabe que o apelido de “princesinha do Pantanal” lhe cai muito bem. É uma cidade linda por natureza, onde o Pantanal pode mostrar sua exuberância em todo o tempo. Nos tempos das águas, a cidade é cercada pelo mar de xarayés, na vazante, mostra seu esplendor nas praias de areia fina às margens do Rio Paraguai. O Pantanal cobre 50% de sua vegetação, mas o município também conta com outros biomas como o cerrado e floresta.  

Com cerca de 90 mil habitantes, a cidade transita entre a história e a modernidade. O seu centro histórico, tombado pelo Instituto Patrimônio Histórico e Cultural (Iphan) guarda prédios e casarões do século XVIII e XIX que tem fachadas e arquitetura com estilos colonial e neoclássico e guarda resquícios do neogótico, artdecô e eclético. Ao passar pelo centro histórico é possível apreciar essas construções em suas fachadas, frontões e beirais e ainda visitar o Museu Histórico de Cáceres com suas salas representativas sobre a cultura e história do povo pantaneiro ou sala de arqueologia.

Ronivon Barros

Prédio do Anjo da Ventura

ANJO DA VENTURA: Escultura de mulher alada, colocada no alto de um prédio comercial, datado de 1890, situado na esquina do cruzamento das ruas Cel. José Dulce e Comte. Balduíno, em Cáceres.

Cáceres é polo educacional e sedia a Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) que oferece, no município, 13 cursos de graduação, seis mestrados e dois doutorados, além de diversas outras instituições de ensino superior privadas como a Fapan (Faculdade do Pantanal), Unopar (Universidade do Norte do Paraná) e Grupo Anhanguera e Unic (Universidade de Cuiabá).  

A cidade também é polo de saúde, com o Hospital Regional e polo de serviços, com a presença de diversos órgãos estaduais e federais, além do Exército Brasileiro, com o Batalhão de Fronteira e boa infraestrutura para eventos.  

Além do setor de comércio e serviços, com o turismo, a pecuária é uma das principais atividades econômicas do município. A cidade conta com o primeiro e único frigorífico de Jacaré da América Latina, que conta com o Selo de Inspeção Sanitária permitindo inclusive a exportação da carne para outros países.  

 

História:  

 

A cidade que hoje completa 239 anos começou como um povoado fundado em 6 de outubro de 1778 recebeu o nome de Vila Maria do Paraguai em homenagem a rainha reinante em Portugal, antes da independência do Brasil. Sua localização foi escolhida de forma estratégica a oeste das terras brasileiras para defender as áreas portuguesas do avanço dos espanhóis.  

Apesar do tratado de Madri em 1750, antes da fundação do povoado, ter delimitado as áreas das duas coroas, o governo português sentia a necessidade de estabelecer e ocupar as áreas à oeste. O marco do Jauru (alusivo ao tratado de Madri), hoje assentado na praça Barão do Rio Branco, só foi trazido para a cidade em 1883. Ao longo de sua existência, a cidade recebeu outros nomes. Quando foi elevada a categoria de cidade em 1974, passou a se chamar São Luiz de Cáceres, em homenagem ao fundador, e em 1938 passou a ser somente Cáceres.

Ronivon Barros

Catedral São Luiz

Cáceres completa 239 anos de um povo hospitaleiro e trabalhador

 

A importância do município no cenário regional e até nacional se deve a sua localização e também graças a navegação pelo Rio Paraguai, que permitia o comércio entre Cuiabá, Corumbá e até mesmo com a Europa por meio da ligação com a Bacia do Prata. Essa navegação também possibilitou o incremento da atividade extrativista e de atividades agropecuárias fazendo surgir importantes empreendimentos de usinas de açúcar e charqueados como Fazenda Descalvados e Barranco Vermelho.  

A partir da construção da Ponte Marechal Rondon, no início dos anos de 1960,  começaram a expansão populacional e o desenvolvimento mais a noroeste, ganhando espaço com a abertura de novas frentes de desenvolvimento agrícola. É nesse cenário que Cáceres tem diversos territórios se emancipando e tornando-se cidades.  

 

Cidade Apaixonante

 

Quem nasceu eu decidiu viver em Cáceres declara seu amor pela princesinha do Paraguai. É assim que o cacerense de pé “chato” como ele mesmo diz, artista plástico Antônio Carlos Viana da Costa, 50 anos,  mais conhecido por Carlinhos Viana, se declara, um apaixonado pela cidade.

“O que mais me encanta em Cáceres e me enche de inspiração, orgulho é a natureza que ainda temos preservada, (os rios, as matas os bichos, aves, peixes)  e o maior de todos, que podemos falar com maior orgulho, que moramos no Pantanal. O Pantanal é uma das áreas mais respeitadas  do mundo, e onde já fui  falo que moro em uma cidade em cima do Pantanal e todos respeitam”, diz.  O artista plástico nascido no centro de Cáceres, na Rua Tiradentes, onde hoje funciona a Rádio Difusora, afirma que ao longo dos 30 anos de profissão, já fez exposições em diversas cidades do Brasil e em outros países da América do Sul (Bolívia e Peru) além da Europa (Portugal, Espanha e França). 

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Carlinhos Viana

É assim que o cacerense de pé “chato” como ele mesmo diz, artista plástico Antônio Carlos Viana da Costa, 50 anos, mais conhecido por Carlinhos Viana, se declara, um apaixonado pela cidade.

Além das belezas naturais, que são retratadas em suas telas, o artista também se mostra apaixonado pela gente cacerense: “outra coisa que me encanta é a população, que quase todos os moradores da cidade se conhecem, nem que seja só de nome. E, pra finalizar a nossa Arquitetura que é uma das únicas da região, o nosso centro histórico que apesar de estar abandonado encanta os turistas que visitam a nossa querida Princesinha do Pantanal”.

A empregada doméstica, Inácia Cassiana, 60 anos,  mora em Cáceres há 21 anos. “Vim para Cáceres para acompanhar minha mãe que havia se mudado para a cidade. Minha vida estava difícil com o ex-marido, então a cidade me acolheu”. Ela conta que o que a fez se encantar por Cáceres foi o apoio dos moradores. “Em todo lugar que a gente vai consegue trabalho, as pessoas me ajudaram muito em todos esses anos. Eu não pretendo sair daqui não”, afirma.