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Domingo, 29 de Outubro de 2017, 10h:34

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MATÉRIA ESPECIAL

Bastiana Cacerense: o humor da nossa gente e nossa cultura

“Sou tão cacerense que o cheiro de pacupeva está entranhado em mim, e nem mesmo o melhor perfume francês é capaz de disfarçar esse meu cheiro”.

Por: Lygia Lima – especial para o Cáceres Notícias

Arquivo Pessoal

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“Sou tão cacerense que o cheiro de pacupeva está entranhado em mim, e nem mesmo o melhor perfume francês é capaz de disfarçar esse meu cheiro”.

“Sou tão cacerense que o cheiro de pacupeva está entranhado em mim, e nem mesmo o melhor perfume francês é capaz de disfarçar esse meu cheiro”. É assim que Benedita Fátima da Silva, 50 anos, conhecida como Bastiana Cacerense, se resume. Nascida às margens do rio Paraguai, a professora aposentada, faz do humor e da arte uma razão para ser. Mas não consegue fazer desse dom, sua fonte de renda, somente como fonte de alegria e vida.

Sobre como descobriu esse talento, logo ela corrige, “talento não, é muito presunçoso, eu tenho dom”, ao se referir que esse “dom” vem de Deus. “O restante da minha família é tudo normal”, afirma ao analisar sua escolha.

A paixão pela arte e pelo humor nasceu há 30 anos, quando ainda fazia o curso de Letras, na Unemat, quando a instituição ainda nem era universidade. “A Unemat era só um sonho. É uma instituição que tenho uma ligação sentimental mesmo, eu devo a ela minha formação humana e profissional e até mesmo artística”. Bastiana explica que durante o curso de Letras acabou se apaixonando pelos contos, principalmente os contos de Machadianos. “Sou professora especialista em Literatura Brasileira e trabalhei com os contos de Machado de Assis, foi assim que a partir dessa paixão eu passei a desenvolver esse viés artístico. Foi quase natural, a partir das leituras desses contos pude conhecer e perceber melhor muitas coisas, conheci melhor o Pantanal, me encantei pelos bichos. Eu precisava disso para entender o que ele (Machado de Assis) me dizia” explica.

Joner Campos

Bastiana 1

Em gravação de material publicitário, com o também humorista cacerense Tenório.

Com essa inspiração, a professora passou a investir mais nesse dom. Ao ser questionada se a leitura de Machado de Assis não era difícil ou complicada como muitos afirmam ela logo responde: Tenho um amigo ribeirinho que diz assim quando perguntado se o Pantanal é bom. Ele responde: pra quem gosta é muito bom, pra quem não gosta é muito ruim. Então Machado de Assis é assim, é preciso se apaixonar por ele”, resume.

Claro que só dom não bastava para formar a comediante que é hoje. Por isso, ao terminar o curso de Letras ela investiu também em cursos com comediantes e artistas renomados como Miguel Falabela, Marisa Orth, Regina Casé e outro. “Nessa época o Ministério da Cultura estava arrebanhando no país artistas em começo de carreira, então me escrevi e ganhei a chance de ir para o Rio de Janeiro fazer esses cursos com bolsas. Nessa época fomos eu, os meninos Nico e Lau de Cuiabá e outros de Mato Grosso. Éramos umas nove pessoas de Mato Grosso e lá no Rio de Janeiro, o pessoal do IBAC (Instituto Brasileiro de Arte e Cultura) se encantou com os pantaneiros e nos permitiu fazer também algumas outras oficinas e workshosps com esses mestres do humor”, explica.

Com a personagem Bastiana Cacerense, a professora aposentada, percorre munícipios dos estados com espetáculos. Agora está em cartaz com “Bastiana quer casar” e já rodou cerca de 10 municípios da região oeste. “A Bastiana é assim mesmo, quer tudo simplinho, sem muita coisa, ela não tem grandes pretensões e nem pretende conquistar grandes palcos. Ela gosta é conversar com o povo, basta um palco e um banquinho”, diz. Além do espetáculo, a artista também realiza stand-ups em eventos e festas.

Há alguns anos, ela pensou em deixar a personagem de lado. “Mas não consegui, antes eu representava, hoje eu incorporo. Até tentei deixar a Bastiana, mas ela não me larga, não me deixa em paz” relata rindo.

Sobre o futuro do humor pantaneiro ela se mostra preocupada. “Eu já tenho 50 anos, e não vejo muitos meninos seguindo por esse caminho. Os que estão na ativa já estão na faixa dos 40 anos. Pior ainda é com o pessoal do cururu, do siriri, que já estão na casa dos 70 anos e tem poucos jovens continuando com a nossa tradição”. Essa preocupação faz sentido, principalmente quando relata que já tentou oferecer oficinas e mini-cursos e não teve inscritos interessados. Para os iniciantes nessa arte a Bastiana dá alguns conselhos: não espere viver da arte, e é preciso gostar muito.

Para contratar a Bastiana Cacerense: 065-99995-6503 

Arquivo Pessoal

Bastiana 5

Durante espetáculo com a Dupla Nico e Lau, e o Ator André D'Lucca que interpreta a impagável Almerinda.


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