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Domingo, 14 de Abril de 2019, 18h:20

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"DO GAÚCHO"

Espetinhos: com criatividade, a crise não tem vez em Cáceres

Por: Lygia Lima em especial Cáceres Notícias

Francisco Neto

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De acordo com Rubens, que gosta de tratar todos os clientes por gaúcho, e é chamado assim por seus clientes que ao longo dos anos foram se tornando amigos, é preciso gostar do que faz.

Tem uma máxima popular que diz que o brasileiro é o povo mais criativo do mundo. E isso deve ser verdade. No mundo a gente encontra tantos exemplos de superação, de pessoas que num momento de crise, de adversidade conseguiu dar a volta por cima. Com o cacerense Rubens Leite, de 45 anos e sua família as coisas não foram diferentes.

Ao se ver sem emprego, o soldador que tinha mulher e filho pequeno para criar, resolveu enfrentar as dificuldades com o apoio da família e assim construiu a própria churrasqueira e iniciou a venda de espetinhos na Avenida Talhamares. Isso aconteceu há 12 anos. Hoje João Cleber, que era pequeno na época, tem 18 anos, mulher e um filho ainda bebê, que marca presença no trabalho dos pais todas as noites.

“Tudo no começo é difícil, mas a gente vai fazendo o possível e o impossível para atender bem aos clientes e eles vão ficando”, resume a rotina. De jeito desconfiado, mas sempre sorridente, a família que trabalha junta desde o começo não gosta muito de revelar quantos espetinhos vende por dia, mas são muitos. “Dá para pagar as contas e não ficar devendo”, resume.

De acordo com Rubens, que gosta de tratar todos os clientes por gaúcho, e é chamado assim por seus clientes que ao longo dos anos foram se tornando amigos, é preciso gostar do que faz. “Aqui é bom, no dia que a gente não vem, sente falta”. Atualmente ele atende na calçada de um comércio na frente do ginásio Didi Profeta. “Mudamos para cá há cerca de um ano, foi em maio do ano passado, lá na Talhamares era bom, mas estava apertado, aqui tem mais espaço para os clientes”, explica.

Francisco Neto

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Mudamos para cá há cerca de um ano, foi em maio do ano passado, lá na Talhamares era bom, mas estava apertado, aqui tem mais espaço para os clientes”, explica Rubens Leite, de 45 anos.

O trabalho começa cedo, a esposa, Celina Rafaela Muquissai, de 36 anos, é quem tempera a carne e ajuda o marido nos preparativos para o churrasquinho. Os clientes tem três opções, meio da asa do frango, linguiça apimentada e carne. Ah, a mandioca é servida à vontade e tem ainda a opção de farinha para os que gostam. Por volta das 17 horas começa os preparativos para o trabalho noturno, a churrasqueira é acesa, o local é limpo para receber mesas e cadeiras. “Às 19 horas já pode chegar que tem carne assada”, conta.

Os clientes muitos antigos acompanharam a mudança de lugar. Anderson Moraes Souza, diz que pelo menos uma vez por semana bate ponto no churrasquinho. “Gaúcho é famoso, não tem base amigo. É muito bom”, contou enquanto embalava 10 unidades de espeto para levar pra casa.

A tradição de fazer as próprias churrasqueiras continua, depois de 12 anos. “O uso é intenso, a brasa tem que estar bem quente, então já perdi as contas de quantas churrasqueiras já construí ao longo desses anos”. Sobre a possibilidade de fazer outra coisa, Rubens conta que se na época tivesse serviço na área, talvez não tivesse começado a trabalhar com espetinhos. “Mas a nossa cidade não tem muito emprego, e a gente tem que viver, então o jeito é driblar a crise e encontrar uma solução”, diz. Segundo ele, o apoio da mulher fez a diferença na época, “ela falou que iria trabalhar comigo e estamos aqui. Se não tiver união não vai dar nada certo, os dois tem que estar junto pra tudo”. O casal afirma que o fato de trabalharem juntos o dia todo, tanto na preparação quanto no atendimento ao cliente só fez bem ao casamento, os uniu ainda mais.

O filho conhecido por Jota, dá nome ao empreendimento familiar e também gosta do trabalho em família. “eu comecei pequeno. É bom estar aqui, é sempre uma alegria. Se algum cliente chega meio triste, abatido, a gente tenta animar, conversar, brincar, e isso faz uma diferença”, diz.

Entre os frequentadores do Espetinho do Jota, ou do Gaúcho, como os clientes e proprietários se chamam, são bastante variados: professores, estudantes, donas de casa, crianças, que passam pelo local depois que saem do trabalho, da escola. Ali o cliente chega, pega os espetos que desejam, serve sua mandioca e senta-se à mesa. Ao final informa ao dono quantos comeu. Funciona na base da confiança.

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 Os clientes tem três opções, meio da asa do frango, linguiça apimentada e carne. 

Claro que tem dias que o prejuízo é certo. Quando fomos conhecer o local e conversar com o sr. Rubens, no primeiro dia choveu e todo o trabalho feito acaba perdido. Desta forma, só conseguimos terminar nossa conversa no dia seguinte, quando o movimento de clientes era bastante intenso. “Então quando chove a gente perde tudo, é uma correria para guardar as coisas, mas é assim mesmo, não pode desanimar. Deste modo, no dia seguinte, estamos aqui de novo”, afirmou, como de fato ocorreu. 

Sobre a escolha que vez há mais de uma década, a família acredita que acertou. “Eu trabalhava no Porto do Capitão Renato, quando fiquei sem trabalho tinha que ir à luta. Se reclamar resolvesse, estava com a vida tranquila, mas é preciso ter criatividade. A gente tem que arrumar um jeito de trabalhar”, revela.

Serviço:

Para os que desejam conhecer o Espetinho do Jota, ele fica na calçada de um comércio na frente do Ginásio Didi Profeta, de segunda às sextas-feiras. Quem desejar reservar uma quantidade maior de espetinhos pode ligar no telefone: (65) 99900-7059

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