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CULTURA

Sábado, 30 de Março de 2019, 08h:28

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HISTÓRIA

Centro Histórico de Cáceres guarda arquitetura colonial

Por: Lygia Lima em especial Cáceres Notícias

Ronivon Barros

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O tombamento federal compreende o conjunto arquitetônico e paisagístico da região central, incluindo cais do porto Mário Correia, a Catedral São Luiz, a Praça Barão do Rio Branco, o Marco do Jauru e o seu entorno.

O que o centro de uma cidade revela? Normalmente é o local onde se iniciou o núcleo urbano, a região mais importante da cidade. Em Cáceres não é diferente. O seu centro é também histórico, tombado como patrimônio cultural do Brasil e não apenas dos cacerenses.  O centro histórico foi tombado na esfera federal em 2010, mas o espírito de preservação da história e cultura local iniciou muito antes, em 1978 com o tombamento do Marco do Jauru pelo IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico Artístico Nacional) e em consequência disso, o município decidiu garantir a preservação do entorno deste monumento com o tombamento de 47 casas, e pelo Estado, a ação se deu em 2002.  É desta forma que inicia o processo de construção do centro histórico de Cáceres como patrimônio cultural.

O tombamento federal compreende o conjunto arquitetônico e paisagístico da região central, incluindo cais do porto Mário Correia, a Catedral São Luiz, a Praça Barão do Rio Branco, o Marco do Jauru e o seu entorno. Atualmente, de acordo com o município das 47 casas tombadas inicialmente, muitas foram desmembradas em outras matrículas e hoje somam cerca de 250 imóveis que devem ser preservados, mas muitos estão em estado de abandono e ruindo. Das 47 casas tombadas inicialmente pelo município, três ruíram e várias outras necessitam de intervenção urgente. A fiscalização dos órgãos municipal, estadual e federal, uma vez que o centro histórico é tombado nestas três esferas públicas e com isso tem a gestão compartilhada no sentido de preservar tem provocado os proprietários, muitos de famílias de posse, a adotarem medidas urgentes para a preservação e até mesmo para a reconstrução.

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Todo o processo de preservação do patrimônio histórico por meio de tombamento oficial começou com a decisão do IPHAN em preservar o Marco do Jauru, que é um monumento que representa o Tratado de Madrid, firmado entre as coroas Portuguesa e Espanhola em 1750 que determinou as fronteiras territoriais entre os dois reinos nas terras da colônia. O monumento foi instalado inicialmente às margens do Rio Jauru, mas desde 1883 está exposto na Praça Central de Cáceres, tendo sido removido de lugar mais de uma vez. O Marco do Jauru, que é símbolo de fronteira, também é utilizado como insígnia pelo Exercito Brasileiro por meio do Segundo Batalhão de Fronteira, B-Fron. 

Ronivon Barros

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A Casa Dulce, que fica na esquina da Rua Coronel José Dulce com a rua Comandante Balduíno, é mais conhecida e disseminada como “Anjo da Ventura”.

Apesar da falta de investimentos, as construções, muitas centenárias, evidenciam diferentes estilos arquitetônicos como Art Déco, neoclássico, colonial, neocolonial, neogótico, entre outros. Muito da beleza que podem ser vislumbradas nos detalhes estão escondidos por trás do descaso e falta de manutenção. As casas melhores preservadas, segundo a arquiteta da prefeitura Reginete Maria Rondon da Silva, que trabalha com o patrimônio histórico em Cáceres, são as que continuam servindo de residência ou comércio. “As casas que estão em pior estado de conservação pertencem às famílias de posses, normalmente com muitos herdeiros e que estão em inventário, mas nós temos tido algumas experiências bem sucedidas no sentido de preservar esse patrimônio, como a recuperação e revitalização do Clube Humaitá pelo governo estadual, o Banco Sicredi, a reforma do prédio da Câmara Municipal. Também será feita a reconstrução da casa do Zezinho Lacerda, que fica ali na rua da Manga e acredito que logo se iniciam as obras na antiga Câmara Municipal”, afirma.

Aliás, esse prédio da antiga Câmara Municipal, de estilo arquitetônico neoclássico, sofreu com um incêndio não totalmente esclarecido. O prédio foi construído em 1929 para servir como sede do governo municipal. A atual câmara Municipal que foi entregue após uma longa reforma este ano, foi construída em 1893 com cognome de Casa Costa Marques em homenagem ao primeiro proprietário Joaquim Augusto da Costa Marques.

Outro símbolo do centro histórico de Cáceres, a Casa Dulce, que fica na esquina da Rua Coronel José Dulce com a rua Comandante Balduíno, é mais conhecida e disseminada como “Anjo da Ventura”. O imóvel foi construído em 1871 para abrigar uma das mais prósperas casas comercial de Mato Grosso, tendo sido de propriedade do militar e comerciante José Dulce, que também era o proprietário da embarcação Etrúria. O principal elemento decorativo é uma escultura feita em bronze, que foi batizada de “Anjo da Ventura”. Já a moradia do bem sucedido comerciante José Dulce fica na Praça Barão do Rio Branco, e é conhecida como a Casa Rosa, que tem estilo singular Art Noveau, ou Art Déco, foi construída em 1923.  A família Dulce também é a responsável pela construção da casa em que hoje funciona o Banco Sicredi, com estilo eclético, data de 1921 para servir de moradia para Humberto Dulce.

Ainda no Centro Histórico destaca-se a Catedral São Luís de Cáceres, que demorou 46 anos para ser concluída e enfrentou diversas dificuldades para ser erguida. A obra foi originalmente projetada com o estilo gótico, mas as dificuldades de construção fizeram com o que o projeto fosse alterado para o estilo neogótico. A construção teve início em 1919 e só terminou em 1965.

A arquiteta da prefeitura, Reginete, concorda que para garantir uma preservação maior e  também para valorizar a história e a cultura local seriam necessários investimentos e ações do poder público no sentido de contar um pouco sobre esses imóveis, o que eles representam como se deu sua construção. Afinal conhecer um pouco da história cria o sentimento de preservação dessa paisagem urbana.

Ronivon Barros

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O Marco do Jauru, que é um monumento que representa o Tratado de Madrid, firmado entre as coroas Portuguesa e Espanhola em 1750 que determinou as fronteiras territoriais entre os dois reinos nas terras da colônia.

Outras iniciativas também estão sendo tomadas no sentido de preservar e envolver a comunidade por meio de parcerias com as universidades locais, Unemat e Fapan no sentido de oferecer cursos e oficinas para preparar mão de obra especializada e mais acessível nas obras de reforma e reparo, realizar levantamentos e pesquisa para avaliar as condições dos imóveis tombados para que se possa buscar financiamento quando for o caso, além das ações e intervenções dos órgãos fiscalizadores junto aos proprietários a fim de notificar e cobrar ações preservacionistas.

 

Fontes:

Como fonte de pesquisa desta matéria foi utilizada o artigo científico “Percurso interpretativo do centro histórico Cáceres/MT, para fins turísticos e de educação patrimonial” produzido por Marcela de Almeida Silva, Sandra Mara Alves da Silva Neves, Ronaldo José Neves e Renato Fonseca Arruda, todos da Universidade do Estado de Mato Grosso e publicado na Revista Brasileira de Pesquisa em Turismo em 2016, e disponível no link: http://www.scielo.br/pdf/rbtur/v10n3/pt_1982-6125-rbtur-10-03-00435.pdf

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