PUBLICIDADE

X

CULTURA

Quarta-feira, 26 de Janeiro de 2022, 11h:15

Olho 2037 acessos A | A

PROFESSOR NATALINO

Filme que conta história de um dos maiores intelectuais de Cáceres será lançado no cinema

O lançamento está previsto para fevereiro de 2022. História conta a vida e trabalho de Natalino.

Por: Joner Campos I Cáceres Notícias

joner.campos@caceresnoticias.com.br

Arquivo Pessoal

Clique para ampliar

O professor Natalino Ferreira Mendes

Está com previsão para ser lançado no mês de fevereiro, o filme que conta a história de um dos maiores intelectuais da história do município de Cáceres. Com vasto acervo documental, a peça audiovisual irá retratar a vida do professor Natalino Ferreira Mendes, que foi cronista, historiador, secretário de municipal e grande incentivador da cultura.

A compilação de arquivos, documentos, anotações ficou a cargo da filha, Olga Castrilon, que assina a produção do filme ao lado no cineasta Leonardo Sant’Ana.

Olga também é professora, pesquisadora e conversou sobre a produção do filme com o Cáceres Notícias.

CN: Quanto tempo o documentário demorou para ser produzido e quando será lançado?

Olga: De todas as atividades previstas no projeto, o Documentário foi o último a ser finalizado pelas próprias características de uma produção audiovisual, que demandou muita pesquisa de arquivo. O projeto teve início em janeiro de 2021, com os preparativos para edição de 3 livros, do Site, ao mesmo tempo em que preparávamos as pesquisas, e em outubro/novembro começaram a ser feitos os ajustes das filmagens, do áudio, vídeos e tudo o mais. O cineasta é bastante profissional, sendo que tudo foi muito bem observado e acompanhado, seleção de material inédito, fotografias, documentos pessoais, dando início a um processo de organização de todo acervo do Professor Natalino. Essa documentação é composta de livros datilografados, recortes de jornais antigos e sua digitação e digitalização, um trabalho que, certamente, está só começando, pois demanda muito mais tempo; um tempo que ultrapassa o da feitura e conclusão do documentário. Penso que esse trabalho que vem a público por incentivo da Lei Aldir Blanc/SECEL/MT/2020, é o início de outros, principalmente aqueles que ainda não puderam vir à luz neste momento. O que se espera é que os pesquisadores se debrucem sobre o conjunto da sua obra que já está toda disponibilizada no site www.natalinoferreiramendes.com.br (também esta atividade oriunda do mesmo projeto). O resultado ficou maravilhoso, como verão no lançamento, previsto para o próximo mês de fevereiro, se tudo correr bem.

ad4646b9-9466-4954-8c5c-2329a00d90b7.jpg

CN: Como surgiu a ideia de contar sobre a vida e obra do professor Natalino?

Olga: Como detentora do seu acervo e da biblioteca e na responsabilidade de filha, também estudiosa das coisas de Mato Grosso, sempre me vi envolvida com o autor em sua labuta cotidiana, momentos em que pude conhecer melhor o pai, o funcionário público, seus amores pela terra natal e, principalmente, a constante busca pelos sentidos da vida. Sua figura e produção passaram a ser meu foco de pesquisa, pois sua obra é de uma sensibilidade única, mesmo quando conta a história, ou faz crônicas da memória cacerense, que é também a sua própria memória e exercício de vida. Com a sua morte, essa memória tornou-se imperativa, dada a grande proporção e importância do legado para a posteridade. Não há como desprezar um acervo de milhares de livros, anotações de leituras, compilação de dados históricos que construíram o lastro de toda sua produção. É preciso organizar, tratar devidamente e colocar à disposição do povo, cujas origens foram fonte das suas preocupações. O incentivo público, através da submissão de um projeto à Lei Aldir Blanc/SECEL/MT/2020, trouxe a oportunidade de concretização da ideia, que tomou forma com apoio de colegas professores das Escolas Públicas, da UNEMAT e de companheiros da Academia Mato-Grossense de Letras e do Instituto Histórico e Geográfico de Cáceres, todas instituições das quais Natalino fez parte, tanto como associado quanto como incentivador das ideias, como é o caso do IHGC. Acreditando no trabalho coletivo, partimos para os desafios, que não foram poucos, mas todos eles levados a efeito com a seriedade e profissionalismo dos que nos ajudaram atingir os objetivos propostos: edição de 3 livros, pela Editora Carlini & Caniato (com distribuição de 70% do total de um mil exemplares); construção de um Site, que já está no ar desde novembro/2020, sob a responsabilidade de Umberto Rios Magalhães/Conectart Web Design e o Documentário, com produção da Terra do Sol Filmes/Leonardo Sant’Ana. Em decorrência da Pandemia e da emergência da prestação de contas, fizemos os lançamentos virtuais com a Empresa Giraldini/Leandro Peska. O Documentário, pela beleza das imagens e impacto da atuação, estamos viabilizando a projeção no Cine Xin, em Cáceres, no mês de fevereiro e, em seguida, em Cuiabá. Acredito que Cáceres ganhou muito espaço com os resultados da Lei Aldir Blanc/2020 e Natalino atingiu um grau de sofisticação e de difusão, dificilmente imaginado pela família. Os primeiros passos estão palmilhados; resta-nos prosseguir com o processo de democratização do acervo, esperando que o município se interesse em fazer a composição com a Biblioteca Pública e com o Museu Histórico. Vamos trabalhar rumo a esse objetivo, pois Natalino deixou de ser nosso; é parte da memória e da história de Cáceres. Pelo menos essa é a nossa crença.

CN: Qual o maior aprendizado vc considera que a equipe teve no processo de produção da peça audiovisual?

Olga: Hoje, o audiovisual comanda o processo de aprendizagem e de ludicidade das crianças e jovens. O filme está ao alcance das mãos, portanto, há que se investir nisso, ao lado do livro impresso, ou mesmo dos e-books, ambos ainda inacessíveis para grande parcela da população. A imagem dominando o mundo, obriga-nos a dominar o seu funcionamento (a pandemia antecipou drasticamente o seu papel no cotidiano das escolas e da família). Um documentário é algo mais sofisticado, demanda recursos maiores, empenho físico e intelectual, pesquisas de fundo e profissionais gabaritados na sua execução, tornando-se um objeto bastante caro e só possível com suporte financeiro público. Por isso, a união dos esforços em torno do projeto “Natalino Ferreira Mendes: mestre da cultura mato-grossense” (Edital 04/2020/SECEL), nos colocou em conflitos pessoais e em perspectivas diversas, o que envolve pensar a organização e preservação dos arquivos sob dimensões para além do particular. O legado intelectual das pessoas que, com imensos sacrifícios, amealharam livros, registros, pesquisas, que são bens materiais e imateriais, precisa de atenção especial: primeiro das famílias, responsáveis pela sua guarda e desprendimento de cessão e, em seguida do Poder Público, para que esse legado seja ampla e irrestritamente utilizado pela população estudantil e pelas gerações vindouras. Esse, talvez, seja o maior aprendizado deste nosso trabalho: é preciso construir a consciência da memória, pois qual seria o objetivo do trabalho de uma vida inteira se vier a desaparecer na poeira do tempo?!